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O reino do faz-de-conta

por R.Cheiros, em 10.09.08

O a pobre do Michal Douglas acabara de ser abandonado pela mulher que lhe levou os filhos, tinham-no despedido do emprego, endividado até as orelhas,e, para cúmulo encontrava-se metido num engarrafamento do caraças em pleno auto - estrada de Los Angeles. Esturricado por um sol dos diabos e atordoado pelo pandemónio de milhares de buzinas a tocar ao mesmo tempo com os respectivos donos a vociferarem insultos entre si. As tantas para ajudar a tanta desgraça o fulano de trás deixa descair o carro e pumba..


Não era de estranhar que se passasse e que, de revolver em punho levasse por diante uns quantos condutores, enquanto se dirigia a casa da ex mulher.


Todos quantos estávamos a ver o filme compreendíamos perfeitamente o desespero do homem...mas, as opiniões dividiam-se cada cabeça cada sentença .

Todos nós sabemos  uso de armas de fogo é hoje o símbolo de muita  violência gratuita. E que se usa uma arma por "dá cá aquela palha" parece tão simples...


A criminalidade é cada vez mais violenta em Portugal, quem é que não sabe disso? Os roubos, homicídios ou violações - crimes que provocam maior alarme social e uma enorme sensação de insegurança.
Mas para além de mais violentos, os criminosos estão também mais organizados. Hoje em dia um roubo já é pensado até ao último pormenor. Basta recordar o ultimo assalto há "famosa" carrinha de valores no auto-estrada.


Assassinatos, violência doméstica, assaltos, tiros na escola, mortes em discotecas etc, etc, Será que nos tornamos mais violentos ao conviver com tanta violência?

Eu reconheço que me sinto insegura e bastante preocupada principalmente quando os mais novos cá de casa resolvem fazer as suas noitadas... Hoje uma troca de palavras pode dar origem a um tiro ou uma facada.

Existe uma crescente onda de violência explícita e gratuita entre os jovens entre o ser humano de modo geral, sejam eles de qualquer classe social, origem, raça ou religião.


Alguns culpam a sociedade cada vez mais exigente e competitiva que nos leva ao individualismo exagerado. Hoje vive-se um salve-se quem puder onde tudo é permitido não se olha a meios para tingir os fins e tudo se faz por 5 minutos de fama ou suposto sucesso.


Não importa ser mas parecer, e ter... Ter a casa mais  XPTO os melhores moveis que o vizinho , o melhor carro que o colega, as melhores ferias que o amigo, nem que para isso tenha que se fazer um novo credito. ter, ter... E quando se vai a ver são só aparências... Porque na realidade não tem nada, só dividas. É muito comum ver algum abrir a carteira e trazer uma infinidade de cartões de credito, eu pergunto-me para que??? Mas parece-me que são modas é giro e fica bem abrir a carteira e mostrar todo aquele "arsenal" Fazem-se créditos loucos, créditos para pagar créditos as famílias estão cada vez mais endividadas e mais “perdidas” e mais sozinhas. 

Não sei de quem é a culpa...

 A oferta de dinheiro fácil de plástico é muita todos os dias somos bombardeados com publicidade de dinheiro a baixo custo só facilidades...  Mas será que ainda há quem acredita que alguém dá alguma coisa a alguém de graça? 

 

Tudo se paga, nada é de borla... Cada vez mais se perdem casas por falta de pagamentos, carros são confiscados. Porque das duas e uma ; ou se come ou se pagam os créditos... e gera violencia.

A falta de apoios para a integração social o facilitismo à imigração descontrolada a formação de guetos tudo isto faz a violência

 

E os outros  vão ficando orgulhosamente sós.
Esse individualismo exagerado gera medo entre as pessoas. Esse medo faz com que elas se tranquem em si mesmos.

Nós, seres humanos, tornando-nos mais e mais individualistas estamos a perder a noção de sensibilidade quando deparamos com a violência veiculada nos jornais e Tv. A tragédia já não nos choca tanto.

Um crime já começa a tornar-se banalidade do dia a dia. A guerra passa a ser apenas uma mera contagem estatística de mortos e feridos. Uma simples cena de amor num filme faz-nos chorar muito mais que centenas de mortos todos os dias nos noticiários .

 

Assim, a violência pode ser expressa de várias maneiras. Seja ela física, urbana, doméstica, psicológica, política ou social. Mas uma coisa é certa, a violência está a crescer de tal maneira parece uma coisa comum, parece  um caso de normalidade no  nosso quotidiano. A violência tornou-se comum, banal.
E o que se faz??


Parece que vivemos num País inexistente, num qualquer reino imaginário de contos-de-fada.
As pessoas aprenderam a brincar com acontecimentos sérios, rindo às vezes de sua própria sorte.

Essa politica  anárquica torna o povo vulnerável frente às grandes decisões nacionais. Muitos procedimentos irresponsáveis acontecem diariamente sem que as pessoas pensem questioná-los.

Desse modo vemos o professor fazer-de-conta que ensina, o aluno fazer de conta que aprendeu e o estado faz de conta que baixou o insucesso escolar. 

O Governo fazer-de-conta  que governa e  o povo faz-de-conta que é governado os ministros fazem-de-conta que fazem alguma coisa .

O presidente faz-de-conta que conta para alguma coisa . Os  políticos fazem-de-conta que são sérios e o povo faz-de-conta que acredita.

O estado faz de conta que acaba com as barracas mas  faz guetos sociais e nós povo fazemos -de-conta  que acreditamos.

O estado  faz-de-conta que controla a imigração ilegal e o povo faz-de-conta que acredita

A Lei que faz prender é a mesma que  pode fazer soltar. Os policias prendem o juiz faz-de-conta que  "julga" e a vitima fazer-de-conta que acredita. 

Eles fazem de conta que a violencia está controlada ,e  o povo ainda fazer-de-conta que acredita..

São alguns absurdos que vêm provar que vivemos num País do faz-de-conta realmente

 

publicado às 11:54


13 comentários

De jangadadecanela a 10.09.2008

Olá...

Neste reino do faz-de-conta português tenho uma grande preocupação... é que começamos todos a fazer-de-conta que vivemos cá... e isso não pode acontecer senão um dia destes Portugal apanha com uma OPA em cima... e quando dermos conta... já não somos Portugal mas sim uma realidade (não faz-de-conta) estrangeira...

um abraço
Luís

De R.Cheiros a 10.09.2008

Boa tarde:)

Acredita que é assustador "fazer-de-conta"´.
Começo a te receio que quando a cortina do "cantinho há beira-mar plantado" cair já seja tarde de mais...

Somos uns pais de brandos costumes mas de gente de garra e lutador mas começasse a notar muita inércia... Somos fatalista é certo mas nunca fomos povo de baixar os braços.
Já diz a letra da música: no mar fomos os primeiros.
Um país de descobridores

Temos premio Nobel na literatura, na medicina, e vários prémios em investigação médica. E outros tantos...

Hoje, estamos a dar o nosso próprio chão a quem vem de fora.

Desde médicos, enfermeiros, produtores, passando por balconistas ou empregados da construção civil falam estrangeiro ou português com sotaque.

O que é feito dos nossos? Se querem uma oportunidade de vida tem que dar o salto para fora.

Estamos na cauda da Europa em tudo o que é estatísticas.

Mesmo assim tenho imenso orgulho em ser portuguesa.

Um beijo

De jangadadecanela a 11.09.2008

... o orgulho de ser português, esse ninguém nos tira... :)

um abraço
Luís

De R.Cheiros a 11.09.2008

Boa tarde Luís
Esperemos que nunca seja: Orgulhosamente sós!
Essa frase é tipicamente salazarista e como se sabe não nos trouxe nada de bom.

Acredito numa geração com mais horizontes....

O povo português tem muito orgulho do seu país da sua "bandeira" na altura do europeu ou do mundial... Falo do futebol claro.

Beijoca

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