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Lucida!!

por R.Cheiros, em 21.05.08

 

 

 

 

Quem de nós nunca teve vontade uma vez por outra de gritar, um grito de alma e dizer basta...

Sim, tu que me estas a ler neste momento, nunca te passou pela cabeça mudar tudo??

Nesta sociedade sou mais um número, nada me destaca, contribuições em dia, voto, dever cívico cumprido, tenho casa, carro, família, sou correcta em todos os aspectos.

Na rua sou invisível, não me vês sou igual a toda a gente, nada me diferencia.

Uso o disfarce perfeito, roupas da Zara,Massimo Dutti Lanidor,de uma sociedade consumista e ambulante, igual a milhares de outras pessoas, onde ninguém me pedira justificação ..

Ninguém olha ninguém nos olhos.

Quero tirar o meu disfarce.

Eu sou muito mais do que isto que se vê ..., falta a minha alma, o sorriso, o meu amor, o meu ódio, o meu desprezo, o meu cérebro meu olhar, os meus sonhos..

Sonhos que dificilmente tu consegues ver. É isso que me torna livre, me afasta das tuas rédeas, que pôs o brilho nos meus olhos, que me torna única.

Sou muito mais do que tu queres, ou do que consta no meu BI, sem complexos, fronteiras, barreiras ou limites.

Sozinha no meio de tanta gente...

 


 

publicado às 10:01


1 comentário

De João Cordeiro a 21.05.2008

Li e reli este teu post... e revolvi a parca massa cinzenta que possuo para te responder em uníssono. O que nos faz afinal pegar na caneta e diluirmo-nos nas palavras que saem de nós?
O que é este parir de emoções que fluem descontroladas, sílaba após sílaba, numa flagelação da alma que, em momentos, faz a tinta diluir-se no lago da lágrima?
Paro um momento e olho para as frases anteriores e rio da minha própria presunção. Tinta?
No máximo avario o teclado com o carpir químico. Afinal a escrita é dificilmente o momento solitário e romântico de outrora, a mão trémula, o cobertor sobre as costas pelejando contra o frio, a vela...isso foi-se, tudo se foi excepto a solidão. Essa persiste, cabra amante de artistas e suicidas.
Um dia destes na auto-estrada ouvi na rádio a voz do Pedro Paixão dizer que a literatura era coisa do Século XIX, que hoje escreve "polaróides", captura momentos... Senti inicialmente uma profunda decepção, o ídolo que trai. Desliguei o rádio com um gesto brusco e deixei que os pensamentos fluíssem na lentidão rodoviária.
Contudo reflecti e tens razão no que disseste sobre as "polaróides", os "clips, os "tubes" ou lá o que lhe queiras chamar.
Tudo tem que ser breve nos tempos sem tempo.
E como o tempo está a esgotar o tempo, é imperativo que escreva para que algo perdure e vença a falta do tempo.
Afinal que rapariga nunca teve um sutiã adornado, um primo meio tarado ou um amigo abichanado?
Que mulher nunca quis pular e dançar até cair? Cantar, gritar e rir, sonhar e sonhar até dormir?
Qual a gaja que não sofre para ter a perna depilada, uma unha arranjada ou para trabalhar menstruada?
Que senhora nunca comeu uma caixa de bombons, por ansiedade, uma alface no almoço por vaidade ou um otário por saudade?
Que menina nunca apertou o pé no sapato para caber, a barriga para emagrecer ou o telemóvel para não o perder?
Que mulher nunca jurou que não estava ao telefone, que não pensa em silicone ou que dele não lembra nem o nome?
Não possua o domínio de ti, de mim nem de ninguém...
Porque me vejo assim num mercado popular, cheio de mulheres a apregoar aquilo que desejam, e que não têm em casa. A gravata 'Tie Rack' incomoda-me, porque aperta, e eu não sou homem de contingências.
Antes de liberdades.
Gosto mesmo de quem está a vender os gladíolos. Homem solto, que enleia dois cabelos maiores do peito, com a malha grossa do cordão de ouro. Presumo que seja o menino da mamã. Ouro de lei...assim tão grosso.....só de procriadora para procriado.
Enlear é, de resto, o meu verbo preferido.
Prometo, continuar a lutar para enlaçar o maldito relógio do tempo, e agora que os dois indicadores deformados estão a cessar esta reflexão, urge despachar porque não quero perder a sessão da nossa grande solidão.

Um beijo


Com os melhores cumprimentos

João Cordeiro

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